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Portugal atrai 6,7 mil milhões de euros de investimento direto estrangeiro no primeiro semestre, com o capital internacional a continuar a apostar na economia real
01 Sept 2026, 20:00

A capacidade de Portugal para atrair capital internacional reforçou-se significativamente no primeiro semestre de 2026.
De acordo com os dados mais recentes divulgados pelo Banco de Portugal, as transações de investimento direto estrangeiro (IDE) em Portugal atingiram 6,7 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, representando uma melhoria significativa face ao valor negativo registado no mesmo período de 2025. Deste total, cerca de 6 mil milhões de euros foram investidos em entidades portuguesas, enquanto 1,7 mil milhões de euros estiveram associados ao investimento imobiliário.
Estes dados mostram que Portugal continua a atrair capital internacional, apesar da incerteza que ainda caracteriza o contexto económico e geopolítico global.
Os países europeus continuaram a ser a principal origem do investimento direto estrangeiro em Portugal.
Durante o primeiro semestre do ano, o investimento proveniente de França aumentou cerca de 7 mil milhões de euros, enquanto o investimento de Espanha cresceu aproximadamente 1,9 mil milhões de euros. Em contrapartida, o investimento proveniente do Luxemburgo diminuiu cerca de 4,6 mil milhões de euros, compensando parcialmente o aumento dos fluxos de capital oriundos de França e Espanha.
Esta estrutura de investimento reflete também o elevado grau de integração de Portugal nos mercados de capitais europeus. Enquanto membro da União Europeia e da área do euro, Portugal mantém fortes relações comerciais, empresariais e de investimento com as principais economias europeias.
Dos 6,7 mil milhões de euros de investimento direto estrangeiro registados durante o período, aproximadamente 1,7 mil milhões de euros foram direcionados para o setor imobiliário.
Embora este valor tenha ficado ligeiramente abaixo dos 1,9 mil milhões de euros registados no mesmo período de 2025, o imobiliário continua a ser um importante canal de investimento de capital estrangeiro em ativos tangíveis em Portugal.
Nos últimos anos, o âmbito do investimento internacional no mercado imobiliário português tem vindo também a alargar-se, passando da habitação tradicional para segmentos como hotelaria, imobiliário comercial, instalações logísticas, residências para estudantes, apartamentos com serviços e centros de dados.
Esta evolução demonstra que o interesse dos investidores internacionais pelo imobiliário português está cada vez mais associado à procura gerada por setores como o turismo, a tecnologia, a logística, a educação e o desenvolvimento urbano.
Numa perspetiva de longo prazo, o stock de investimento direto estrangeiro em Portugal atingiu 225,1 mil milhões de euros no final de junho de 2026, o equivalente a 71% do PIB do país.
Por sua vez, o stock de investimento direto de Portugal no exterior situou-se em aproximadamente 82,2 mil milhões de euros, correspondendo a 26% do PIB.
O elevado stock de investimento direto estrangeiro evidencia o grau de participação do capital internacional na economia portuguesa. O investimento estrangeiro não se limita a fluxos de capital de curto prazo, estando presente no capital das empresas, no imobiliário, na indústria, na energia, nas infraestruturas e noutros ativos de longo prazo.
O investimento direto estrangeiro apresenta, em geral, uma natureza mais duradoura do que os fluxos de capital de curto prazo, constituindo por isso um indicador relevante da forma como empresas e investidores avaliam o ambiente económico de um país numa perspetiva de longo prazo.
A recuperação das transações de IDE para 6,7 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, após o valor negativo registado no mesmo período do ano anterior, juntamente com cerca de 6 mil milhões de euros investidos em entidades portuguesas, representa um sinal positivo.
Para Portugal, o mais importante não é apenas atrair mais capital, mas conseguir transformar o investimento internacional em desenvolvimento empresarial, infraestruturas, modernização industrial, emprego altamente qualificado e ativos tangíveis capazes de gerar valor a longo prazo.
Nesta perspetiva, a participação contínua do capital internacional não só demonstra a forte integração de Portugal nos mercados de capitais europeus e globais, como também reflete a sua capacidade de se manter como um destino atrativo para o investimento de longo prazo na Europa.
Link original: https://www.theportugalnews.com/news/2026-08-27/foreign-direct-investment-in-portugal-totals-over-6-billion/1076054 Para mais informações, consulte: https://asiaeurogroup.com/pt-pt/news/